Era Natal.
Em uma grande loja da cidade,
O Sr. João, proprietário da loja,
teve a idéia de que para cada presente comprado,
o freguês poderia levar uma quantidade de balas,
a livre escolha, como uma lembrança de Natal.
E foi assim que começou a história.

 

Eu sou o mais gostoso, o mais saboroso, todos me adoram, só querem me comer, e neste Natal, eu vou ser o rei!

 

Cantava e cantava o Sr. Chocolate, fazendo pouco dos demais.

 

Pare com isto Sr. Chocolate! Não vê que sua arrogância torna a vida insuportável neste balcão- falou D. Caramelo.

 

Ora, ora! Quem é você para me dizer, o que devo ou não devo fazer? Se eu quero cantar, eu canto! - Respondeu o Sr. Chocolate e continuou a cantar.

 

Ela tem gosto de giz, a mais horrível, ninguém quer comer, quem é? Quem é? Ha, ha, ha, a bala de Anis.

 

- Buahhh! Buahhh! Buahhh! - Chorava D. Anis.

 

- Não fique assim, D. Anis - consolava o Sr. Tuti-fruti.

 

- Ele tem razão, eu sou um azarão, muito pouca gente gosta de mim e as crianças então, elas nem me olham! Buahhh! Buahhh! Buahhh! - Chorava mais ainda D. Anis.

 

- Não, D. Anis. A senhora não é um azarão. Apenas possui um sabor especial, para um paladar sofisticado - ponderou o Sr. Laranja.

 

E, na bancada da loja, todos mostravam sua indignação, pelo Sr. Chocolate, que por nada se abalava.

 

- Podem falar o que quiserem, eu sou melhor que todos vocês. Quem mais as crianças, os adultos, os idosos, homens ou mulheres, querem nesta banca? Ora, ora! Eu, o Chocolate. E neste natal eu vou ser mais popular que o próprio Papai Noel! - cantava, ainda mais prosa, o Sr. Chocolate.

As balas fizeram uma reunião para ver o que podiam fazer. Conversaram muito, muito e muito mas de fato, nada podiam fazer. Realmente era o Sr. Chocolate o mais querido pelas crianças, adultos e idosos, homens ou mulheres.

 

Um dia, no entanto, faltou luz na loja, o calor ficou insuportável. Sem luz, o ar refrigerado não funcionava. Estava um calor de derreter.

 

- Nossa como estou melada! - Falou D. Uva.

 

- Eu também - falou o Sr. Caramelo.

 

Todos estavam muito melados, nem podiam muito se mexer. Foi quando o Sr. Hortelã perguntou:

 

- Ué? Cadê o Sr. Chocolate?

 

Ficaram todos a procurar, Sem, no entanto, encontrar. até que em um canto escondidinho, estava lá, todo derretido, o Sr. Chocolate.

 

Ele não estava melado, ele estava todo espalhado, estava feio de dar dó. E foi uma gargalhada geral!

 

- Por favor não riam de mim! Eu estou marrom de vergonha! - Suplicava e chorava o Sr. Chocolate.

 

O resultado foi imediato: as crianças, os adultos, os idosos, homens e mulheres, ninguém mais queria saber do Sr. Chocolate.

 

Ele estava muito feio, feio mesmo de dar dó. As outras balas? Estas, continuavam sendo queridas. Pois apesar de meladas, ainda podiam ser comidas. Até mesmo D. Anis passou a ser mais querida, inclusive, pelas crianças.

 

O chocolate? Este não. Estava tão feio que mais parecia, desculpem a comparação, um cocô desarranjado.

 

- Buahhh! Buahhh! Buahhh! Ninguém quer mais me comer! - Chorava muito o Sr. Chocolate.

 

O Sr. Chocolate sofria tanto, que os demais ficaram com dó dele. Até mesmo D. Anis teve compaixão.

 

- Como sofre! Mas isto está sendo bom para ver se ele aprende que não se deve zombar dos outros porque nada como um dia atrás do outro! - Falou D. Anis.

 

Mas o Sr. Chocolate não parava de chorar. Ele não estava acostumado a se sentir rejeitado.

 

- Ah! D. Anis, me perdoa! Eu não sabia como era ruim ser tão rejeitado. E eu que zombei tanto da senhora, agora, sinto-me humilhado. Me perdoa D. Anis! - Dizia sinceramente o Sr. Chocolate.

 

- Perdôo! Porque eu vejo que as suas palavras vem do fundo do seu coração - falou D. Anis.

 

- Me sinto mais aliviado é bom pedir desculpas quando a gente agiu errado - falou o Sr. Chocolate.

 

- Eu tenho a solução para todos nós! - disse o Sr. Tangerina.

 

- Qual? Qual? Qual?... - Cada um perguntava.

 

- Ninguém é obrigado a gostar de todos, mas sempre haverá quem goste de um de nós, principalmente, se tiver a chance de conhecer. Vamos propor ao Sr. João que o freguês pode até nos escolher, mas depois de fazer um saquinho que tiver pelo menos um de cada um de nós. Assim, todos teremos a chance de mostrar o nosso sabor!

 

- Grande idéia! - Exclamou Sr. Chocolate.

 

- Grande idéia! - Todos confirmaram.

 

- Grande e sábia idéia - acrescentou a D. Abacaxi.

 

- Mesmo quando voltar ao meu normal, eu não quero mais que ninguém passe por esta humilhação. As crianças, os adultos, os idosos, homens e mulheres, precisam compreender que cada um tem seu sabor próprio, um sabor diferente, a ser saboreado - falou o Sr. Chocolate.

 

Assim, os saquinhos foram feitos. O Sr. Chocolate aprendeu a lição.

 

Aprendeu que cada um possui a sua qualidade e o seu próprio sabor. Deixou de ser arrogante percebendo que não era melhor do que ninguém. E, ainda, que nesta vida o importante era dar-se a chance de se descobrir cada um!

 

O Sr. Chocolate então começou a cantar e todos os demais lhe acompanharam:

 

- Adeus ano velho, feliz Ano novo, que tudo se realize, no ano que vai nascer, muito dinheiro no bolso, saúde prá dar e vender!

 

 

A DESCOBERTA

Uma história infantil para a criança que existe em todos nós

Beatriz Breves